14º EDTED – Como foi? – Parte 2

Postado em: 26 de maio de 2009

Como prometido, vou continuar minha humilde revisão do Encontro de Design e Tecnologia Digital que aconteceu em Florianópolis em 23 de maio. No último post falei sobre as palestras de Frederick van Amstel, do Faber-Ludens, e René de Paula, da Microsoft. Hoje vou falar brevemente sobre as palestras de Paulo Teixeira sobre SEO e de Jonatas Abbott, sobre e-mail marketing.

Pra começar, a palestra “SEO – Oportunidade em tempos de crise” de Paulo Teixeira foi, na minha opinião, junto com a de René de Paula, uma das mais interessantes e aclamadas do evento. Começando pelo fato de que o tema tratado é a menina-dos-olhos do crescente ramo das agências digitais, o palestrante também se mostrou extremamente desenvolto e eloqüente, com um leve toque de humor. A forma como o tema foi abordado foi muito boa, com uma razoável introdução e justificativa do tema, mas bastante prática, indo direto ao ponto, abordando técnicas específicas utilizadas na otimização de websites para a busca orgânica de mecanismos de busca.

Primeiramente, o palestrante mostrou rapidamente a óbvia importância do desenvolvimento desse tipo de trabalho. Com a indiscutível ubiquidade do Google na mente e nos navegadores da enorme massa de internautas, e ao mesmo tempo com a crescente ineficiência das formas pagas de divulgação de produtos e serviços (graças ao tão “terrível” fenômeno do “banner blindness”), a capacidade de uma empresa estar nas primeiras três páginas dos resultados de busca é imprescindível.

Talvez seja por ser tão óbvia essa importância da SEO que Paulo não tenha se demorado tanto com justificativas. De fato ele deu uma série de conceitos dicas sobre como otimizar um website. Listando aqui algumas coisas interessantes:

  • “O link é a base da internet”. Os hyperlinks são o que fazem do hipertexto algo tão mais dinâmico que um texto tradicional, e através dos links se pode melhorar o pagerank;
  • Quanto maior a relevância de um website, mais benefício em pagerank têm os outros websites linkados por ele. Esses websites ganham popularidade por estarem sendo referenciados por sites populares;
  • Até mesmo links internos, ou seja, aqueles em que uma página de determinado site faz link para outra página do mesmo site, são capazes de melhorar a SEO;
  • Respeite a semântica do HTML: utilize Titles como titles, Headings como headings, Parágrafos como parágrafos. Respeite a hierarquia da informação: Título, subtítulo, texto;
  • Dê significado aos elementos: crie hyperlinks que expliquem para onde eles levam, dê nomes às imagens, use os atributos Alt e Title;
  • Conteúdo relevante é imprescindível: os blogs muitas vezes são campeões de ranking porque não são apenas coleções de palavras-chave, e sim textos completos e desenvolvidos sobre os assuntos pesquisados. Mas como disse constantemente Julius Wiedemann: “se você vai abraçar um meio, abrace de verdade”. Montar um “blog corporativo” sem ter a mínima infra-estrutura para mantê-lo atualizado, ou que simplesmente copie conteúdos alheios é mais um tiro no pé;
  • SEO não é uma ciência exata: teste as “novas técnicas” antes de aplicá-las;
  • Não abuse de técnicas que dão muito certo: os mecanismos de busca, Google principalmente, mudam constantemente os seus algoritmos para evitar justamente esse abuso. Por exemplo, tanto abusaram das metatags keywords, que o Google hoje simplesmente as ignora. Uma vez li que até mesmo a tag H1 têm perdido força para a H2, dado o abuso que fizeram desta tag para dar relevância a deteminados trechos de texto;
  • Juntamente com este último, não faça Black Hat SEO!
Paulo Teixeira - Palestra sobre SEO - Fonte: Flickr da Arteccom

Paulo Teixeira - Palestra sobre SEO - Fonte: Flickr da Arteccom

Pra terminar a palestra, a pedido do pessoal da Zero Track, Paulo explicou aos demais espectadores os conceitos de Busca Universal, Semântica e Vertical, que ainda estão a passos lentos no Brasil, mas das quais logo vamos ouvir bastante falar. Veja o slideshow da palestra “SEO – Oportunidade em tempos de crise”.

Ao final do evento, me dirigi então à palestra do Jonatas Abbott, da Dinamize (mas que curiosamente estava no chamado “Espaço Oficinas”. Acho que em muitos casos, o conceito de “oficina” ou “workshop” acaba sendo supérfluo). Mesmo assim, gostei bastante da palestra, bastante dinâmica e engraçada, e ainda me senti em casa por ser apresentada por um patrício gaúcho.

O nome da palestra era “O Incrível Jogo Ótico do E-mail Marketing”. Basicamente a palestra toda foi uma coleção de indicadores e argumentos em defesa do e-mail marketing como forma de divulgação de produtos e serviços. Um dos argumentos mais fortes utilizados foi a recente declaração de Ben Self de que o e-mail marketing foi responsável por dois terços da arrecadação on-line da campanha do presidente americano Barrack Obama. São tantos argumentos que fica difícil de relatar tudo aqui, bastando dizer que me convenceu :) . Foi cômico também encontrar a blogueira jornalista Vanessa Nunes flagrada por Abbott checando seus e-mails na palestra de Chris Anderson em Porto Alegre.

Palestra de Jonatas Abbott - Fonte: Flickr da Dinamize

Palestra de Jonatas Abbott - Fonte: Flickr da Dinamize

Depois de tantos argumentos, o incrível jogo ótico do e-mail marketing foi quase coadjuvante. Basicamente, o que ele quis demostrar com esse conceito é que no processo de leitura da caixa de entrada de e-mails, muitas vezes somos confrontados com o dilema: “dou uma chance a esse e-mail ou jogo na lixeira?”. Para quem recebe muitos e-mails por dia e só pode verificá-los em determinados horários, como é o caso de empresários, esse dilema tem que ser resolvido de forma extremamente rápida e cruel. Então, o objetivo da palestra é dar dicas de como fazer a balança pesar mais para o lado que queremos, ou seja, que o destinatário abra e leia o e-mail. As dicas são simples:

  • Deixe claro o nome do remetente, pessoa física ou empresa;
  • Descreva o assunto de forma relevante no campo subject: nada de “informativo 00123, informativo 00124″;
  • No conteúdo do e-mail, vá direto ao assunto: não comece a arte do e-mail só com seu logotipo. Além de parecer uma atitude egocêntrica, obrigar o usuário a rolar a tela até encontrar o assunto tratado pode aumentar a chance de ele desistir do e-mail antes mesmo de ver o que você tem a dizer.

Concluindo minhas impressões, gostaria de parabenizar a todos os responsáveis pela organização do evento, por reunir em um único dia um elenco tão esclarecedor de palestrantes, eu diria até um elenco tão relevante de palestrantes que fizeram a mim, e com certeza a muitos mais participantes, refletirem sobre nossos papéis na construção de uma web mais humana.

Ah, e para os designers, que como eu, foram ao evento pensando em ver mais a respeito de questões mais “técnicas” de design para web, saibam que não há nada de que se decepcionar: o objetivo do evento foi mais fazer com que nós designers pensemos nas fundações mais básicas na criação das redes sociais: as pessoas.

Parafraseando meu amigo Fernando Galdino: “Moçada do design, já caiu a ficha de vocês que design é mais um jeito de pensar do que um jeito de desenhar?”.

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2 comentários para “14º EDTED – Como foi? – Parte 2”

  1. Na verdade fiz os pedidos mais para estes conceitos tão importantes não tivessem passado em branco na palestra tão elucidativa.

    Abração

  2. Leo.Lopes disse:

    Claro, mil perdões! Fiz parecer que vocês tivessem dúvida sobre aquilo hehe. Vou editar o post!

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