Como declarei anteriormente aqui no blog, eu fui ao 14° EDTED em Florianópolis no dia 23 de maio e vou expressar aqui minhas impressões sobre o evento.
Em primeiro lugar, devo dizer que gostei bastante de ter participado do evento, encontrando lá velhos amigos e trocando idéias com outros profissionais do ramo. A organização do evento também me pareceu bem feita e gostei de várias palestras que assisti.
Meu objetivo inicial em ir ao evento era assistir às palestras do Espaço Design, mas devido ao cronograma do evento, consegui também assistir às palestras dos espaços Tecnologia e Oficinas.
O Evento foi bem sucedido em abordar os aspectos sociais e de mercado que são influenciados pela proliferação das redes sociais na internet. Nesta época em que todos nós usuários de internet parecemos participar de pelo menos uma rede social, esse tipo de discussão se faz muito importante, pois as redes sociais já deixaram há muito de ser meras plataformas de interação social pretensamente desinteressada e são hoje enormes e dinâmicas plataformas de marketing.

Julius Wiedemann, René de Paula, Frederick Van Amstel e Anderson de Andrade. Fonte: Flickr da Hostnet
Abordando o tema das redes sociais, eu destaco as palestras de Frederick van Amstel (instituto Faber Ludens), René de Paula (Microsoft), Paulo Teixeira (Marketing de Busca) e Jonatas Abbott (Dinamize).
Frederick, fundador do instituto Faber-Ludens, que promove o desenvolvimento de Design e Tecnologia acerca de tecnologias de comunicação, deu a palestra “Das Interfaces à s Interações“, onde enfatiza a predominância do fator de interação sobre os aspectos tecnológicos na construção de redes sociais.
Frederik coloca o designer de interação (que chama de designer de relações sociais) como promotor de interações que já existem e vêm sendo travadas na realidade social, mas que são transpostas para um ambiente virtual. Procura mostrar como, ao contrário do Big Brother idealizado na obra “1984″ de George Orwell, o ambiente virtual está povoado de inúmeros “pequenos irmãos” se vigiando e regulando constantemente. Ou seja, cada participante de uma rede social onde há grande abertura de informações que normalmente seriam privadas, é um potencial vigilante regulador.
Pensando nas implicações dessa abertura desenfreada que as redes sociais vêm promovendo, Frederick convida as mentes por trás dessas redes a refletir sobre isso, procurando criar redes que não escravizem as pessoas que as utilizam (assim como muitas pessoas que simplesmente não podem passar cinco minutos sem tweets).
Uma aplicação que achei bem interessante, esboçada no instituto Faber-Ludens é o conceito de VÃdeo Social, uma adaptação ao serviço do Youtube. Consiste basicamente em assistir a um vÃdeo no Youtube enquanto sua webcam grava suas reações a ele. Logo após, você manda o vÃdeo para seus amigos, que também terão suas reações gravadas. Ao final, você pode assistir à maneira como seus amigos reagiram ao vÃdeo que você mandou, se acharam graça, se não gostaram, etc. Segundo Frederick, essa idéia se baseia em uma prática que já vem sendo feita no Youtube, de gravar as reações de pessoas ao vÃdeos. Ou seja, a aplicação nada mais é do que a facilitação de um tipo de interação que já existe.
Também abordando as redes sociais, a palestra “Redes Sociais: como trazer a tona o melhor de nós“, apresentada por René de Paula, especialista da Microsoft em experiência de usuário para mim foi uma das melhores, tanto pelo conteúdo quanto pelo palestrante, muitÃssimo engraçado, mas capaz de fazer o conteúdo ainda assim predominar sobre o humor. A palestra teve como ênfase mostrar que por mais que nossa experiência social seja aumentada pela tecnologia atual em redes sociais, nossos corpos e mentes ainda estão dentro dos limites humanos e, portanto, propõe uma reflexão sobre o quanto os desenvolvedores devem restringir a experiência de suas redes sociais, ou talvez o quanto nós mesmos devemos moderar nossa participação nas mesmas. Devemos humanizar as redes e seu uso.
O palestrante procurou, de forma tragicômica, jogar um balde de água fria no oba-oba com que são tratadas as redes sociais hoje, atingindo igualmente indivÃduos comuns, profissionais e empresas. Das empresas ele critica a demagogia: muitas empresas criam comunidades no orkut ou perfis no Twitter sob o pretexto de “conversar” com seus clientes ou usuários, mas acabem usando essas plataformas simplesmente para divulgar produtos e serviços. Quando são confrontadas com os comentários maldosos e reclamações dos clientes (afinal, as empresas entram em uma rede social sem pensar na possibilidade de serem criticadas pelos outros membros) se valem de respostas prontas ou simplesmente fogem covardemente do embate. René diz que, se não há como estabelecer a tal conversa, seja por falta de pessoal, seja por excesso de clientes, não se deve entrar nessa empreitada.
Quanto aos profissionais liberais, a questão é: qual é o limite entre minha vida pessoal e meus feitos profissionais? Até onde o sujeito tem liberdade de falar sobre a morte de seu peixinho dourado no Twitter, sendo que mais de 80% dos seus seguidores o está seguindo para saber sobre novidades em branding?
Já sobre os indivÃduos, a questão é muito mais simples, mas mesmo assim passa batida por grande parte dos usuários: tome cuidado com o que você fala! Da mesma forma que você pode estar enfadando seus seguidores falando sobre assuntos que só têm valor para você, você pode estar queimando totalmente seu filme para uma enorme quantidade de pessoas ao dar opiniões fortes ou totalitárias demais, falar sobre assuntos embaraçosos, lavar roupa suja em público ou simplesmente ser grosseiro com determinados tipos de pessoas (que podem muito bem estar te seguindo sem que você saiba). A pergunta que deve sempre ser feita é básica: eu diria isso em público? As pessoas esquecem que os outros realmente lêem o que elas escrevem, e aà a privacidade escapa pelo ralo.
Por enquanto vou parar por aqui! No post que vem, vou falar das palestras de Paulo Teixeira, sobre SEO e de Jonatas Abbott, sobre e-mail marketing, e também dar minhas últimas impressões sobre o evento.
Alguém mais foi?
Tags: E-mail Marketing, Informática, Novidades, Twitter, Web

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